InícioMundo50% dos presos políticos da Venezuela não terão anistia

50% dos presos políticos da Venezuela não terão anistia

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Familiares de presos políticos realizaram nesta terça-feira (10) um protesto na região da Assembleia Nacional da Venezuela, em Caracas, para protestar contra a lei de anistia proposta pelo chavismo.

Segundo informações da agência EFE e do jornal El País, os manifestantes alegaram que a medida, aprovada pelo Parlamento em primeira discussão e em processo de consulta pública para seu segundo debate e aprovação final, não beneficiaria mais de 50% dos presos políticos do país.

“A lei de anistia, da forma como está redigida atualmente, excluiria mais da metade dos presos políticos”, afirmou Andreína Baduel, dirigente da ONG Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clipp), que pediu outros mecanismos para a libertação desses detidos além de leis de anistia.

“Não chegamos a este ponto por escolha própria. Há anos apelamos às instituições estatais para que estabeleçam mesas de diálogo com observadores internacionais, mas elas optaram por continuar violando os direitos humanos”, denunciou.

“Há diversos mecanismos na lei que podem fazer com que libertem os presos políticos sem ter que continuar prolongando a dor com ações burocráticas”, acrescentou Baduel, que é irmã do preso político Josnar Baduel.

Outros parentes da ativista que foram alvos da violência política do chavismo foram outro irmão dela, Raúl Emilio Baduel, que foi libertado e posteriormente exilado, e seu pai, o general Raúl Isaías Baduel, ex-ministro da Defesa de Hugo Chávez e que morreu na prisão em 2021.

O chavismo afirma que ele faleceu em decorrência da Covid-19, mas a família contesta essa alegação.

Andreína Baduel denunciou nesta terça-feira que o projeto de lei proposto pela ditadora interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, não cobre detenções ocorridas em anos como 2018, 2020, 2021, 2022 e 2023, quando ocorreram “mais da metade dos casos” registrados.

Na proposta, fala-se que a anistia é para os casos de 1999 até janeiro de 2026, mas no artigo 6 são detalhados alguns anos específicos: 2002, 2003, 2004, 2007, 2013, 2014, 2017, 2019 e 2024.

Os deputados chavistas Jorge Arreaza, líder da comissão que discute a lei, e Pedro Infante, vice-presidente do Parlamento, receberam os familiares, que designaram uma comissão que entrou na sede do Legislativo para expor seus questionamentos e preocupações sobre o texto.

A ONG Foro Penal, que lidera a defesa legal de presos políticos, informou na segunda-feira (9) que confirmou 426 libertações desde que se anunciou o processo de soltura em 8 de janeiro, enquanto o regime interino diz que libertou 897 pessoas desde dezembro, mas sem publicar uma lista oficial com os nomes.

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