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10 outsiders da direita que podem concorrer ao Senado em 2026

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As eleições de 2026 têm sido apontadas por lideranças da direita como uma das mais importantes dos últimos anos, já que representam uma oportunidade única de formar maioria de senadores contrários à escalada de abusos do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque no próximo ano haverá uma renovação ampla, de dois terços do Senado (54 vagas), o que só acontece a cada oito anos.

Como nas últimas eleições a maioria dos 27 senadores eleitos tem alinhamento à direita ou centro-direita – e estes permanecerão no cargo, já que o mandato no Senado é de oito anos – uma vitória expressiva nas urnas pode viabilizar processos de impeachment de ministros e “frear” excessos da Corte.

Para isso, lideranças e partidos articulam desde já pré-candidaturas não apenas de figuras conhecidas, mas também dos chamados “outsiders”, isto é, candidatos que não vêm da política tradicional e que nunca ocuparam cargos eletivos.

A Gazeta do Povo mapeou quais são os principais outsiders que já anunciaram a pré-candidatura ou que podem se declarar pré-candidatos nos próximos meses. São nomes vindos do empresariado, da imprensa, do Judiciário, de carreiras militares e do ativismo ligado a bandeiras conservadoras e liberais. Veja a lista completa a seguir.

  • Direita prepara ofensiva no Senado em 2026: quem são os mais cotados para enfrentar o STF

1. Sebastião Coelho (Novo-DF)

Sebastião Coelho construiu carreira no Judiciário do Distrito Federal, onde atuou como juiz e, posteriormente, desembargador. Em 2022, renunciou ao cargo de vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE-DF) em protesto contra a posse do ministro Alexandre de Moraes na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando que o ministro teria feito uma “declaração de guerra ao país”.

Após sua aposentadoria, o ex-desembargador passou a atuar como advogado, destacando-se na defesa de réus envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Naquele ano, aliás, ficou marcado por dizer, em sustentação oral no STF, que os ministros são “as pessoas mais odiadas do país”.

Coelho filiou-se ao Novo em maio deste ano e lançou sua pré-candidatura no dia 9 de dezembro, no encontro anual do partido, ao lado do senador Eduardo Girão (CE), do deputado Marcel Van Hattem e do governador de Minas Gerais, Romeu Zema.

Ex-desembargador Sebastião Coelho (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senad)

2. Michelle Bolsonaro (PL-DF)

Atual presidente nacional do PL Mulher, a ex-primeira-dama já foi apontada por Jair Bolsonaro como um dos nomes da direita para o Senado no próximo ano. Desde 2023, quando assumiu o cargo no Partido Liberal, Michelle tem percorrido vários estados organizando encontros regionais, palestras e eventos de filiação de mulheres e participando de articulações para as eleições de 2026.

Apesar disso, com a inelegibilidade e a prisão do ex-presidente, o nome da ex-primeira-dama tem sido especulado como possível candidata à Presidência ou vice – opção que perdeu força após Bolsonaro ter indicado o filho Flávio para concorrer à presidência da República.

3. Paulo Guedes (sem partido)

O ex-ministro da Economia durante o governo Bolsonaro, Paulo Guedes, foi convidado pelo ex-presidente mais de uma vez para disputar uma vaga ao Senado por Minas Gerais em 2026. O economista é carioca, mas já morou no estado mineiro ao se formar pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A consideração pela mudança de domicílio eleitoral tem a ver com a variedade de nomes da direita que pleiteiam ser indicados à disputa pelo Senado pelo Rio de Janeiro. Apesar disso, Guedes, que retornou à iniciativa privada após deixar o governo em 2022, sinalizou que não teria interesse em assumir um cargo público.

Em nova conversa, em junho deste ano, o ex-ministro teria se mostrado mais aberto, segundo Bolsonaro. “Gostaria que o Paulo Guedes aceitasse ser senador por Minas Gerais. Estamos tentando. É um baita nome para o Senado”, afirmou o ex-presidente em fevereiro.

4. Coronel Mello Araújo (PL-SP)

Com a candidatura de Eduardo Bolsonaro (PL) ao Senado cada vez mais improvável, aliados próximos do ex-presidente buscam mais opções de candidaturas que representem o “núcleo duro” dos apoiadores de Bolsonaro em São Paulo.

A primeira, com o martelo praticamente batido, é a do deputado federal Guilherme Derrite (Progressistas-SP), e a segunda pode ficar com o coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo, Mello Araújo, mas outros nomes fortes seguem na disputa, como o do ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo-SP).

Único nome mencionado nesta reportagem que possui cargo eletivo, Mello Araújo é o atual vice-prefeito de São Paulo, escolhido por Bolsonaro para compor a chapa como vice de Ricardo Nunes (MDB) nas eleições municipais de 2024.

Antes disso, o ex-policial militar não havia disputado eleições. Após ocupar o cargo de comandante da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) entre 2017 e o início de 2019, foi nomeado por Bolsonaro presidente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), função que cumpriu entre 2020 e 2023.

Em setembro, Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), afirmou que a legenda estuda a possibilidade de lançar Mello Araújo, mas que Bolsonaro dará a palavra final sobre os nomes do partido indicados ao Senado por São Paulo, assim como nos demais estados.

Mello Araújo SenadoCoronel Mello Araújo, vice-prefeito de São Paulo (Foto: Leon Rodrigues/Prefeitura de São Paulo)

5. Bruno Scheidt (PL-RO)

O produtor rural Bruno Scheidt é um dos nomes que o PL pretende lançar pelo estado de Rondônia. Ligado ao agronegócio, Scheidt conta com o aval de Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle – ambos já se referiram publicamente ao pecuarista como pré-candidato ao Senado.

Apesar do apoio expressivo da cúpula do PL, o produtor rural, que é o atual presidente do PL Rondônia, lida com o desafio de ser um nome ainda pouco conhecido entre os eleitores do estado.

6. Cristina Graeml (União-PR)

Fortalecida após ter ido ao segundo turno na disputa pela Prefeitura de Curitiba em 2024 somando 42,36% dos votos em seu primeiro embate eleitoral e filiada a um partido nanico, o PMB, Cristina Graeml anunciou sua pré-candidatura ao Senado em fevereiro durante o curto período em que integrou o partido Podemos. Ao migrar para o União, em setembro, a jornalista reforçou a intenção de disputar uma cadeira como senadora.

A disputa no Paraná pelos votos da direita, entretanto, deve ser acirrada. Além de Cristina, nomes fortes como o deputado federal Filipe Barros (PL) e o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) já sinalizaram interesse em disputar uma cadeira no Senado.

7. Jeffrey Chiquini (Novo-PR)

O advogado criminalista Jeffrey Chiquini tornou-se conhecido nacionalmente nos últimos meses após seu envolvimento na defesa de réus dos atos de 8 de janeiro, em especial por defender Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro. Parte da sua visibilidade tem a ver com embates diretos com ministros do STF e críticas contundentes à Corte, principalmente Alexandre de Moraes.

Filiado ao Novo em 2025, Chiquini tem evitado falar sobre uma eventual pré-candidatura e disse, em live com Deltan Dallagnol transmitida em junho, que a filiação tem como objetivo apenas “acompanhar as pautas do partido”.

Apesar disso, uma dura crítica pública a Cristina Graeml após a jornalista filiar-se ao Podemos evidenciou um possível embate precoce pelos votos da direita. Na ocasião, o advogado afirmou que a jornalista teria “vestido a farda do Centrão”. Em resposta, Cristina disse que houve uma difamação por parte do advogado. “Imagino que é porque ele quer entrar na mesma disputa política em que estou”, declarou a pré-candidata.

8. Gilson Machado (PL-PE)

Ministro do Turismo na gestão Bolsonaro, Gilson Machado conta com apoio direto do ex-presidente, que já manifestou publicamente o desejo de que o ex-ministro dispute uma cadeira no Senado por Pernambuco.

Apesar disso, Machado enfrenta forte concorrência interna dentro do PL. O presidente da legenda no estado, Anderson Ferreira, é outro cotado para a candidatura, o que levou o ex-ministro a manifestar, recentemente, a intenção de mudar de partido para viabilizar sua candidatura. Segundo ele, a resistência ao seu nome dentro do PL pernambucano seria uma falta de respeito à “hierarquia” sob o comando de Bolsonaro.

Gilson Machado candidatoEx-ministro do Turismo, Gilson Machado (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

9. Maguinha Malta (PL-ES)

Filha do senador Magno Malta (PL-ES), um dos representantes mais influentes da direita no Espírito Santo, Magda Malta – conhecida como “Maguinha” – é uma ativista conservadora e atual vice-presidente do Partido Liberal no estado capixaba.

Mesmo não tendo trajetória em cargos eletivos, Magda é pré-candidata ao Senado e contará com o apoio do pai, que em abril deste ano afirmou, em evento no estado, que as próximas eleições poderiam gerar um feito inédito: “o Senado ter um pai e uma filha sentados juntos no mesmo lugar”.

10. Marco Antônio Costa (PL-SP)

O comentarista político Marco Antônio Costa anunciou em março deste ano a intenção de concorrer ao Senado por Minas Gerais. Costa é natural de São Paulo e se mudou para o estado mineiro em maio para iniciar tratativas com lideranças do PL local e participar de eventos da direita.

No entanto, houve resistência ao nome, e no início de dezembro o comentarista informou que retornaria a São Paulo anunciando sua pré-candidatura ao Senado pelo estado paulista.

“Houve uma sinalização do presidente Bolsonaro para São Paulo com o meu nome, sem ter nada garantido. Não estou falando que sou o candidato do Bolsonaro, mas houve uma sinalização clara que não vou continuar em Minas e estou seguindo a sinalização de voltar para São Paulo e estou colocando meu nome como pré-candidato ao Senado pelo estado de São Paulo”, disse Costa em publicação nas redes sociais no dia 5 de dezembro.

Caso a pré-candidatura se mantenha, o comentarista deve ter concorrência acirrada com outros nomes da direita paulista, como Guilherme Derrite, Ricardo Salles, Mello Araújo e o próprio Eduardo Bolsonaro, que tem pretensões ao Senado. O filho de Bolsonaro, entretanto, lida com situação indefinida na Justiça após o STF ter aberto inquérito que pode torná-lo inelegível por conta da atuação nos Estados Unidos para articular sanções contra ministros da Corte.

@mesquitaalerta – Aqui, a informação nunca para.

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