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EUA aumentam pressão para que forças americanas combatam cartéis no México, diz jornal | Mundo

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está intensificando a pressão sobre o México para que forças americanas entrem no país latino-americano a fim de realizar operações conjuntas para combater cartéis, segundo autoridades do governo ouvidas pelo jornal The New York Times. O foco seriam laboratórios de fentanil, usados por traficantes antes de contrabandear a droga pela fronteira.

A proposta foi apresentada no início de 2025, logo depois da posse de Trump, mas havia sido deixada de lado. No entanto, a pressão retornou após a captura do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, no último dia 3 de janeiro. De acordo com fontes ouvidas pelo NYT, os esforços envolvem os mais altos níveis de governo, inclusive a Casa Branca.

Ainda de acordo com o jornal, a ideia é que tropas de Operações Especiais ou agentes da CIA acompanhem soldados mexicanos em incursões contra supostos laboratórios de fentanil e os aconselhem com fornecimento de inteligência. Apesar de manter as forças mexicanas no comando das missões e das decisões-chave, a entrada de agentes americanos representaria uma ampliação significativa do papel dos EUA no México.

Hoje, a maior parte das drogas que entram nos Estados Unidos passa pela fronteira de cerca de 3.200 quilômetros compartilhada com o México. O fentanil, por sua vez, é responsável pela maioria das mortes por overdose nos Estados Unidos. No ano passado, a Casa Branca classificou o fentanil como uma “arma de destruição em massa” e designou vários cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras.

Os laboratórios da droga, no entanto, são conhecidos por emitirem menos resíduos químicos do que os utilizados na produção de outras drogas, o que torna sua localização e posterior destruição mais difíceis. Além disso, eles costumam funcionar em áreas urbanas e conter utensílios semelhantes aos encontrados em cozinhas domésticas triviais, ao contrário do que é visto nos laboratórios de metanfetamina e cocaína, que utilizam espaços maiores. É nesse contexto que Washington busca desenvolver ferramentas para rastrear com maior facilidade a droga durante o processo de produção.

Em declarações à Fox News na última semana, Trump afirmou que os Estados Unidos já eliminaram “97% das drogas que entram por via marítima”, em referência ao México, e disse que agora seu país vai “começar a agir por terra, no que diz respeito aos cartéis”.

Por outro lado, o governo mexicano, liderado pela presidente Claudia Sheinbaum, tem adotado uma posição veemente contrária à iniciativa. Em geral, autoridades mexicanas têm argumentado que a entrada de forças militares americanas seria uma violação da soberania do país. Como contraproposta, elas defendem que haja apenas o aumento de compartilhamento de informações e uma maior participação dos EUA em centros de comando.

A proposta de operações conjuntas também segue na contramão de leis mexicanas recentes que restringem a presença de tropas estrangeiras em solo nacional, incluindo uma emenda constitucional aprovada no ano passado. Além disso, uma votação que autorizaria a entrada de forças especiais da Marinha dos EUA no país para exercícios conjuntos de treinamento com início ainda em janeiro foi adiada após a operação na Venezuela.

Desde o início de seu governo, em 2024, Sheinbaum encarregou o Secretário de Segurança e Proteção ao Cidadão, Omar García Harfuch, de intensificar o combate aos cartéis. A partir daí, o México enviou centenas de agentes ao Estado de Sinaloa para enfrentar o Cartel de Sinaloa – o maior distribuidor de fentanil do mundo, o que resultou em prisões de alto perfil e no enfraquecimento e fragmentação da organização criminosa.

O governo também afirma que vem prendendo integrantes de cartéis e destruindo laboratórios de drogas a uma taxa quase quatro vezes maior do que a do governo anterior. “Não estamos dizendo que o problema está resolvido. Mas o que estamos fazendo é atingir a estrutura criminosa na base, no meio e no topo”, avaliou Harfuch.

Na gestão do democrata Joe Biden, a CIA já tinha realizado voos secretos de drones sobre o México para identificar possíveis locais de produção de fentanil. A ação não foi apenas continuada, mas ampliada desde que Trump reassumiu a cadeira presidencial em 2025.

Questionado pelo The New York Times sobre o planejamento envolvendo o México, o Departamento de Defesa afirmou, em comunicado, que “está pronto para executar as ordens do comandante em chefe a qualquer momento e em qualquer lugar”.

Presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

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