O presidente Lula vai reunir a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito João Campos (PSB), adversários políticos, em camarote do bloco Galo da Madrugada amanhã, no Recife. Em um momento de acirramento da disputa eleitoral no Estado, Campos (PSB) pleiteia ser o único candidato do presidente no pleito estadual, enquanto a governadora pede que Lula fique neutro na disputa.
Lula, por sua vez, se articula para maximizar seus votos em seu Estado de origem. O presidente desembarcou no Recife e visitou hoje obras de ampliação da fábrica da Aché, no Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana do Recife. Tanto Lyra, quanto Campos acompanharam o presidente.
A presença de Lula no Galo da Madrugada foi confirmada após encontro com Campos, presidente do PSB, em Brasília, esta semana. Na reunião, Campos reivindicou a permanência de Geraldo Alckmin (PSB) na vice-presidência na chapa com Lula.
De acordo com Datafolha divulgado na semana passada, Campos tem 47% das intenções de voto para governo de Pernambuco, enquanto a governadora aparece com 35% – a margem de erro é de três pontos percentuais. A diferença entre os aliados recuou 10 pontos percentuais de outubro para cá. No mesmo período, segundo Datafolha, a aprovação de Lyra passou de 57% para 61%.
Com ajuda do governo federal, a governadora está conseguindo destravar investimentos no Estado, depois de um início de mandato impopular, marcado pelo ajuste das contas públicas e dificuldades no legislativo.
Campos vive um momento oposto. Conhecido por ser um fenômeno em popularidade nas redes sociais, o prefeito amarga, desde o fim do ano passado, desgaste provocado pelo “escândalo do fura-fila”. No episódio, Campos alterou o resultado de um concurso beneficiando o filho de um juiz que arquivou investigações contra a sua gestão.
Em contra-ataque, o PSB acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para abrir investigação de suposta prática de espionagem pelo grupo da governadora. O ministro Gilmar Mendes acatou o pedido e ainda ordenou a suspensão das investigações conduzidas pelo Ministério Público de Pernambuco contra aliados de Campos.
Apesar da vitória jurídica, o clima de “já ganhou”, que predominava no entorno de Campos no ano passado, deu espaço a uma postura mais cautelosa. “Todo mundo sabe que vai ser uma disputa apertada, assim como a nacional, e com muitos ataques duros. Disputas polarizadas são definidas no detalhe, numa frase mal colocada, na rejeição”, afirma um integrante do PT.
O PT tende a estar na chapa com Campos, com o senador Humberto Costa (PT) disputando reeleição. Mas para oficializar o apoio integral ao prefeito, o PT também quer que a outra vaga na chapa seja preenchida por liderança com alinhamento à Lula. O nome preferido do presidente é do ministro Sílvio Costa Filho (Republicanos).
Já Campos prefere o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União), por sua forte penetração no interior do Estado e por dialogar também com eleitor de centro-direita. Coelho, no entanto, é filho do ex-senador Fernando Bezerra Coelho, que foi líder do governo de Jair Bolsonaro no Senado, e enfrenta rejeição por parte do PT. Correndo por fora, há ainda a ex-deputada Marília Arraes (Solidariedade), prima e ex-adversária de Campos.
A chapa da governadora ainda está com as duas vagas ao Senado indefinidas. Os nomes mais fortes são do Deputado Eduardo da Fonte (PP) e do ex-prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL).
Depois do Galo da Madrugada, Lula segue para Salvador onde participa de evento de carnaval com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que enfrenta altos índices de desaprovação. No domingo, Lula assiste a desfile de escolas de samba no Rio.
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