A prisão do ex-príncipe Andrew, nesta quinta-feira (19), detonou uma crise política e institucional no Reino Unido. Revelações de arquivos do Departamento de Justiça dos EUA sobre Jeffrey Epstein forçaram renúncias no governo de Keir Starmer e elevaram a pressão sobre a monarquia britânica.
O que motivou a prisão do ex-príncipe Andrew?
Andrew Mountbatten-Windsor foi detido por suspeita de má conduta em cargo público. A investigação foca em novos documentos que sugerem que ele pode ter compartilhado segredos de Estado com o financista Jeffrey Epstein enquanto atuava como enviado comercial do Reino Unido. Além disso, os arquivos detalham e-mails trocados entre os dois com relatórios de viagens oficiais e negociações sigilosas na Ásia logo após Epstein já ter sido condenado por crimes sexuais.
Como o rei Charles III reagiu aos novos desdobramentos?
O monarca demonstrou pesar, mas reforçou que a lei deve ser cumprida. Sob forte pressão popular e alvo de vaias em eventos públicos, Charles III já havia retirado os títulos militares e de nobreza do irmão, além de despejá-lo de sua residência oficial. O Palácio de Buckingham informou que o ex-príncipe deve colaborar com as autoridades e negou que a Coroa tenha financiado acordos financeiros para encerrar processos judiciais de vítimas de abuso.
Por que o governo do primeiro-ministro Keir Starmer está em crise?
O escândalo atingiu o coração do governo trabalhista, provocando a renúncia de três figuras do alto escalão, incluindo o chefe de gabinete de Starmer. A crise foi alimentada pela nomeação de Peter Mandelson para o cargo de embaixador nos EUA, mesmo com o conhecimento de seus vínculos próximos com Epstein. Mandelson é investigado por vazar informações do governo britânico para o financista durante a crise econômica de 2008 em troca de pagamentos em dinheiro.
Quem mais da elite britânica aparece nos novos documentos?
Além de Andrew e Mandelson, os arquivos expuseram Sarah Ferguson, ex-esposa do príncipe. Em mensagens divulgadas, ela descrevia Epstein como ‘o irmão que sempre quis ter’ e agradecia por ajuda financeira para quitar dívidas pessoais. A investigação também aponta que o ex-embaixador Mandelson mantinha uma relação de extrema proximidade com o criminoso, chegando a descrevê-lo como seu ‘melhor amigo’ em registros oficiais de 2003.
Andrew pode ser removido da linha de sucessão ao trono?
Embora tenha perdido seus títulos e funções públicas, ele permanece legalmente na linha de sucessão por ser filho da rainha Elizabeth II. Para que ele seja excluído formalmente, é necessária uma votação e aprovação do Parlamento britânico. Atualmente, o governo enfrenta desaprovação recorde de 70% da população, e parlamentares do próprio partido de Starmer ameaçam retirar apoio ao premiê caso não haja transparência total sobre o envolvimento de políticos com o caso.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
- Caso Epstein provoca crise sem precedentes na realeza britânica e ameaça governo trabalhista
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