Os comandantes militares dos Estados Unidos preparam as tropas estacionadas no Oriente Médio para uma possível incursão terrestre no Irã nas próximas semanas. Segundo reportagem do jornal Washington Post, os preparativos não envolvem uma invasão total, que está fora do radar no momento. Haveria chances de incursões com objetivos específicos, com uso de unidades de operações especiais assim como forças convencionais de infantaria.
O governo iraniano reagiu em comunicado do presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf: “Publicamente, o inimigo envia mensagens de negociação e diálogo enquanto, em segredo, planeja uma ofensiva terrestre”.
Um dos objetivos de eventual ofensiva americana seria a captura da ilha de Kharg, que funciona como um centro de distribuição do petróleo iraniano no Golfo Pérsico. Também estaria nos planos fazer avanços em outras zonas costeiras perto do Estreito de Ormuz, para encontrar e destruir armas e bases de lançamento de mísseis que ameaçam a navegação. No entanto, mesmo a captura da ilha é vista com reserva por especialistas militares.
Michael Eisenstad, diretor de Estudos Militares do Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo, foi categórico: “Eu simplesmente não gostaria de estar naquele lugar pequeno com a capacidade do Irã de lançar drones e talvez artilharia”. Seria mais inteligente, segundo ele, que as tropas americanas eliminassem algumas instalações militares costeiras do Irã que representam uma ameaça à navegação comercial e militar.
Washington alterna ameaça de ofensiva terrestre com acenos de negociação
Há cerca de 50 mil soldados americanos no Oriente Médio. Em comparação, na invasão do Iraque, em 2003, foram utilizados 250 mil soldados. Nos últimos dias, a Casa Branca tem se alternado entre declarações de que o fim da guerra está próximo com outras em sentido oposto, fazendo ameaças de escalada total se Teerã não cooperar. A secretária de Imprensa Karoline Lwavitt afirmou que se o governo iraniano não colocar fim a suas ambições nucleares e cessar as ameaças contra os EUA e seus aliados, Donald Trump está “preparado para desencadear o inferno” contra o regime.
Trump, contudo, afirmou no dia 20 de março que não iria “colocar tropas em lugar nenhum”. “Se fosse, certamente não diria a vocês, mas não vou colocar tropas”, garantiu. Mais recentemente, o secretário de Estado Marco Rubio disse que os Estados Unidos “podem atingir todos os seus objetivos sem tropas terrestres”.
Ao ser questionada pelo jornal Washington Post sobre os planos para operações terrestres, a secretária Karoline Leavitt afirmou que “é o trabalho do Pentágono fazer os preparativos necessários para dar ao Comandante-em-Chefe a máxima flexibilidade. Isso não significa que o presidente tenha tomado uma decisão”.
A possibilidade de enviar jovens americanos para lutar em terra contra o regime iraniano não tem apoio da maioria dos americanos. Pesquisa da Associated Press em conjunto com a Universidade de Chicago apontou que 62% dos entrevistados são fortemente contra o uso de tropas terrestres no Irão, com apenas 12% a favor. Em contrapartida, o apoio a ataques aéreos tem apoio de 33% dos entrevistados, enquanto 39% são contra.
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