A empresária Roberta Luchsinger, investigada no escândalo de fraudes no INSS e amizade pessoal com o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o “Lulinha”, confirmou que vai depor à Polícia Federal e que está disposta a colaborar com as investigações. Ela é uma das pessoas citadas pela Polícia Federal por envolvimento na suspeita de desvio de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas em todo o país.
Segundo apuração da revista Veja, os advogados da empresária afirmam que ela não tem ligação com irregularidades e que o depoimento será uma oportunidade para esclarecer os fatos. Roberta, dizem, já havia se colocado à disposição das autoridades e demonstra tranquilidade diante da investigação.
À Gazeta do Povo, a defesa da empresária confirmou a intenção de falar à Polícia Federal e colaborar com a investigação.
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As investigações da Polícia Federal apontam que Roberta Luchsinger era amiga próxima de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e teria trocado mensagens com o empresário Antônio Carlos Camilo, o “Careca do INSS”, apontado como operador do esquema bilionário.
O relatório final da CPMI do INSS apontou Roberta como peça central no esquema, afirmando que ela atuava diretamente com o Camilo na movimentação de dinheiro e articulação política.
“Roberta é apontada como peça essencial para a ocultação de patrimônio e circulação de recursos ilícitos […] ao converter sua empresa em duto para a circulação de mais de R$ 18 milhões”, afirmou o relator Alfredo Gaspar (União-AL).
O texto também cita a destruição de provas e uso de influência para acessar órgãos do governo. A comissão levanta, ainda, a suspeita de que a empresária teria usado sua relação com Lulinha para facilitar negócios dentro da máquina pública.
“Um dos aspectos mais graves […] é a possibilidade de que Roberta Luchsinger tenha explorado sua amizade com Fábio Luís”, destacou o relator.
Participação de Lulinha no esquema
O relatório também atinge diretamente Lulinha, apontando possível atuação como intermediador e até beneficiário de recursos do esquema. Segundo o documento, ele teria recebido vantagens financeiras e benefícios indiretos ligados aos valores desviados.
“Está provado que o dinheiro roubado de aposentados e pensionistas foi utilizado em benefício de LULINHA […] com passagens de primeira classe e hospedagens de luxo em países europeus”, diz o texto.
Em meados de fevereiro deste ano, o presidente Lula afirmou ter cobrado explicações do filho sobre o suposto envolvimento na fraude do INSS. De acordo com ele, Fábio Luís “vai pagar o preço” se “tiver alguma coisa” no esquema.
Alfredo Gaspar chegou a pedir a prisão preventiva de envolvidos, mas saiu derrotado na votação do relatório após uma manobra da base governista.
A defesa de Lulinha nega qualquer participação e afirma que “não há um único elemento nos autos […] Fábio não tem relação direta ou indireta com os fatos”.
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