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Após queda em dezembro, incerteza com economia brasileira pode subir em 2026 com Venezuela, diz FGV | Brasil

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O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getulio Vargas caiu 3,1 pontos em dezembro, para 104,5 pontos. Além de ser segundo recuo consecutivo do indicador, a queda foi a mais forte desde setembro de 2025 (-4,2 pontos) e levou o índice ao menor patamar desde março de 2024 (103,8 pontos), informou Anna Carolina Gouveia, economista da FGV. Na prática, pontuou a economista, a resiliência da economia brasileira, juntamente com cenário de inflação menos pressionada, maior previsibilidade de política econômica e ausência de ruídos em cenário internacional levaram ao recuo de dezembro.

No entanto, a técnica faz alerta. No caso do cenário internacional, o quadro nos últimos dias para as economias da América Latina mudou, admitiu a especialista. No último sábado (3) o governo dos Estados Unidos efetuou ataques à Venezuela. Assim, ponderou, é possível novas oscilações para cima no indicador, no começo de 2026.

Gouveia explicou que, inicialmente, a sua expectativa era de que fatores internos poderiam ser principais catalisadores de aumento de incerteza com a economia brasileira em 2026. Isso porque há muitos fatores no ambiente interno brasileiro que podem afetar ritmo de atividade econômica, como eleições presidenciais, e discussão de contas públicas. Ruídos externos, embora possíveis, especialmente originados do governo dos Estados Unidos, não seriam influência principal para o IIE-Br, ao longo de 2026, inicialmente.

“Com esse ataque de Estados Unidos à Venezuela, acredito que o cenário externo vai ainda continuar pressionando o indicador de incerteza também em 2026, assim como ele pressionou em 2025”, disse. “Em 2025 nós tivemos, se não me engano, uns quatro choques assim do indicador que foram basicamente impulsionados por questões externas”, lembrou. Um deles foi o movimento de “tarifaço” do governo americano de Donald Trump. Em meados de 2025, o governo dos Estados Unidos elevou em dois dígitos taxas de exportação de produtos com destino ao solo americano, originados de diferentes países, incluindo o Brasil.

Assim, a pesquisadora informou ser possível que o indicador volte a subir, nesse começo de ano. A técnica projeta que, com a situação externa mais turbulenta na América Latina, o indicador possa até “disparar” no começo do ano. Mas considerou que uma possível elevação muito expressiva não deve ser sustentável por muito tempo.

No entanto, admitiu ser provável que o IIE-Br não continue na faixa de 104 pontos, de dezembro de 2025, por muito tempo, ao longo de 2026. “Acredito que o indicador possa, acabar flutuando próximo aos 110 pontos”, afirmou.

— Foto: Vlada Karpovich/Pexels

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