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Com dólar abaixo de R$ 5, rali do real começa a dar sinais de exagero | Intraday

Ainda que o movimento de desvalorização do dólar seja global, a dinâmica do mercado no Brasil começa a chamar atenção e dá sinais de que o desempenho do real pode estar exagerado. O alerta é feito pelos estrategistas Luis Felipe Vital e Cecília Mazzoni, da Warren Investimentos, ao notarem um desvio da moeda brasileira em relação ao modelo da casa para o comportamento do câmbio.

“A tendência de enfraquecimento do dólar é global e observada frente às principais moedas. No caso do real, o desvio em relação ao modelo indica uma possível dinâmica de ‘overshooting’, com a moeda se apreciando além do esperado”, afirmam os profissionais da Warren.

O modelo da Warren projeta o dólar a R$ 5,09. No entanto, ontem a moeda americana encerrou o dia cotada abaixo da marca psicológica de R$ 5 e, hoje, segue abaixo desse nível. “Em conjunto com os dados de 10 de abril [quando o dólar fechou a R$ 5,01 e o estimado era de R$ 5,14], trata-se da maior diferença entre valores realizados e estimados desde dezembro de 2025”, dizem os profissionais da Warren em relatório enviado a clientes.

Eles elaboram um modelo de regressão que relaciona o valor do câmbio (BRL) a variáveis macroeconômicas e de risco global. “Com base nesse modelo, calcula-se diariamente o valor estimado (‘fitted’) do real, ou seja, o nível que seria esperado considerando apenas os fundamentos monitorados”, explicam os estrategistas no documento. “A diferença entre o valor de mercado e o valor estimado revela momentos em que o real está desvalorizado ou valorizado em relação ao seu valor de equilíbrio de médio prazo.”

Ao observar a composição do modelo, os profissionais da Warren notam que há uma sensibilidade atípica do real em relação ao CDS (Credit Default Swaps) de 5 anos. “O CDS registrou queda relevante no início de abril, passando de 139 pontos-base no fechamento de março para 122 p.b. no último dado observado”, dizem. “Esse movimento é, em parte, explicado pela abertura das Treasuries [alta nas taxas], em reação ao conflito no Oriente Médio”, dizem.

Os profissionais acrescentam, ainda, que em relação ao diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, a sensibilidade do real também está elevada.

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