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Confira o Top 5 das criptos mais citadas no 2º semestre (spoiler: apenas uma registrou ganho no ano) | Criptomoedas

No balanço do segundo semestre do ano passado, o levantamento dos criptoativos mais citados para os destaques mensais mostra um retrato bastante fiel de um ano marcado por volatilidade, correções e maior seletividade no segmento.

Ao todo, 52 diferentes criptos foram apontadas como ativos a serem observados pelos investidores no período. O Top 5 ficou concentrado em nomes já consolidados: Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH), empatados na liderança, seguidos de perto pela Solana (SOL). Aave (AAVE) e Hyperliquid (HYPE) finalizam a lista. Desse seleto grupo, apenas uma reportou desempenho positivo no acumulado de 12 meses.

Ethereum, Solana, Aave e Hyperliquid são chamadas altcoins, nome dado a todas as criptos que não são Bitcoin, a primeira e principal representante desse mercado. Esses ativos são tokens (semelhantes a ações de empresas) ligados a projetos de tecnologia voltados principalmente ao setor financeiro e, dependendo do tipo, também são usados para pagar taxas de quem utiliza as redes.

Ethereum (ETH) é a principal rede blockchain do mundo para o desenvolvimento de contratos inteligentes, que são programas que executam automaticamente operações financeiras, investimentos e outros acordos digitais. Hoje, é a plataforma mais usada para emissão de criptos lastreadas em dólar (stablecoins) e para tokenização, processo de transformar ativos do mundo real — como imóveis, obras de arte ou até ações — em versões digitais fracionadas.

É a segunda maior cripto em valor de mercado, com cerca de US$ 360 bilhões em capitalização. Em 2025, acumulou desvalorização de 11%, embora em agosto tenha marcado máxima histórica, ao encostar em US$ 5 mil.

Solana (SOL) é — por ora — a maior concorrente de Ethereum, focada em oferecer mais velocidade e menor custo nas transações. Com essas características, vem ganhando espaço principalmente na emissão de stablecoins por empresas e em iniciativas de tokenização.

Ganhou muita relevância no “boom das memecoins”, no início do ano passado, quando registrou recorde de preço. No acumulado dos 12 meses, no entanto, tombou 34%, e soma quase US$ 74 bilhões em capitalização.

Já Aave (AAVE) é um dos maiores protocolos de finanças descentralizadas (DeFi) do mundo e funciona como um mercado de empréstimos e poupança em blockchain. A plataforma permite que usuários emprestem criptoativos para ganhar juros ou tomem empréstimos oferecendo garantias.

O sistema foi criado na rede Ethereum e depois se expandiu para outras redes. Com valor de mercado de pouco mais de US$ 2,4 bilhões, AAVE derreteu 42% no ano passado.

A Hyperliquid (HYPE) é uma blockchain voltada a derivativos, que opera como uma plataforma de negociação on-chain de contratos futuros e outros produtos, combinando rapidez e alta liquidez, típicas de corretoras tradicionais, com a transparência das finanças descentralizadas.

O token HYPE tem valor de mercado pouco acima de US$ 5 bilhões e acumulou valorização de 12% em 2025.

Desempenho das criptos mais citadas no segundo semestre de 2025

Posição Cripto Código Rentabilidade
Bitcoin BTC -7%
Ethereum ETH -11%
Solana SOL -34%
Aave AAVE -42%
Hyperliquid HYPE +12%

Para Rony Szuster, analista-chefe do Mercado Bitcoin (MB), a composição do Top 5 ilustra a segmentação do setor. “Ela reúne os principais blocos do mercado cripto: BTC e ETH como base do setor, SOL como a principal alternativa entre as redes de primeira camada, AAVE como referência em finanças descentralizadas e HYPE ligada à nova onda de plataformas de negociações on-chain.”

Na leitura dele, o fato de quatro desses ativos terem fechado o ano em queda “indica um cenário mais cauteloso para 2026, no qual nem todas as altcoins devem subir juntas”.

“Bitcoin e Ethereum seguem ocupando uma posição central como ativos de referência, não apenas pelo seu tamanho, mas por funcionarem como termômetros do apetite ao risco global”, afirma Julián Colombo, diretor sênior de Políticas Públicas e Estratégia para a América do Sul na Bitso. “Solana aparece como principal representante das blockchains de alta performance, enquanto a Aave reflete a maturidade do ecossistema de finanças descentralizadas.”

Para ele, a correção dos principais ativos em 2025 não deve ser lida, isoladamente, como sinal estrutural. “Em muitos ciclos, movimentos de correção funcionam como limpeza e reprecificação de expectativas. Para 2026, isso pode abrir espaço para maior seletividade, com investidores buscando projetos com fundamentos mais claros.”

A avaliação é compartilhada por João Canhada, fundador da Foxbit, que vê o ajuste como parte de um processo saudável. “Esse movimento pode preparar o terreno para 2026 com um mercado menos especulativo e mais discriminatório, sem invalidar as teses de longo prazo de Bitcoin, Ethereum e Solana”, afirma.

Na visão de Taiamã Demaman, analista-chefe da Coinext, o desempenho fraco dos líderes em 2025 reflete também o ambiente macroeconômico. “O ano foi marcado por política monetária restritiva, juros elevados nos EUA, inflação resiliente, desaceleração global e a maior paralisação de serviços da história americana, fatores que comprimiram o apetite por risco.”

Segundo ele, esse cenário “tende a pesar sobre as altcoins em 2026, especialmente aquelas que não entregam resultados concretos”.

É nesse contexto que o desempenho da Hyperliquid se destacou. Para Colombo, o movimento da HYPE “sugere que, mesmo em um ambiente adverso, há espaço para produtos bem posicionados e dinâmicas específicas de oferta e demanda que conseguem capturar valor”.

Demaman reforça a leitura ao apontar que, em 2025, a Hyperliquid movimentou mais de US$ 3 trilhões em volume, gerou US$ 911 milhões em receita e distribuiu US$ 420 milhões aos detentores de tokens, “mostrando que ainda há espaço para crescimento em ciclos difíceis, desde que o projeto entregue resultados concretos”.

A necessidade de maior rigor na escolha dos projetos também é destacada por Vinicius Bazan, presidente da Underblock. “Precisamos ser cada vez mais seletivos em altcoins. Ao entrar em um portfólio, o ativo precisa ter produto em atividade, gerar receita, ter mecanismo claro de benefício aos detentores de tokens e boa participação de mercado.”

Segundo ele, “HYPE e AAVE possuem essas características”, embora ressalte que a Hyperliquid ainda tem histórico mais curto.

Já Valter Rebelo, chefe de criptoativos da Empiricus Research, chama atenção para a mudança no perfil dos fluxos. “O investidor de varejo está mais descrente, enquanto o institucional está aumentando sua posição consideravelmente.” Nesse contexto, afirma, “esses ativos têm alta qualidade”, com AAVE e HYPE aparecendo como candidatos naturais dentro de um grupo mais restrito de altcoins.

Para Wander Guedes, gerente de operações da Transfero, o Top 5 do segundo semestre indica “menos espaço para narrativas vazias e mais foco em projetos com liquidez, tração e histórico”. Segundo ele, a correção de 2025 “tende a limpar excessos e redefinir valor”, criando um ambiente mais favorável para altcoins com fundamentos claros, enquanto projetos puramente especulativos devem seguir perdendo espaço.

@mesquitaalerta – Aqui, a informação nunca para.

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