A Rússia recomendou nesta quinta-feira (12) que seus cidadãos não viajem a Cuba, ao mesmo tempo em que anunciou a previsão do envio em breve de um suprimento de petróleo para mitigar as consequências do embargo energético dos EUA contra a ilha caribenha.
“Pedimos a todos que planejam viajar a esse país que levem em conta a situação criada, tendo em vista as recomendações do Ministério da Economia da Rússia”, disse Maria Zakharova, porta-voz da pasta de Relações Exteriores, em entrevista coletiva.
A pasta recomendou aos cidadãos russos que “se abstenham de viajar a Cuba com fins turísticos até a normalização da situação”.
Além disso, o ministério solicitou às operadoras de turismo e agências de viagens que suspendam os serviços, as vendas de passagens e as viagens com destino a Cuba.
As companhias aéreas russas suspenderão temporariamente os voos para Cuba após evacuarem os turistas retidos na ilha, conforme informou nesta quarta-feira a agência aeronáutica civil russa, Rosaviatsia.
A Rússia é a segunda maior fonte de turistas para Cuba, depois do Canadá, com 131.000 viajantes em 2025.
Além disso, fontes da embaixada russa em Havana informaram nesta quinta-feira ao jornal Izvestia que Moscou “prevê em breve o fornecimento” de uma carga de petróleo e produtos petrolíferos “em caráter de ajuda humanitária”.
A Rússia enviou petróleo bruto à ilha pela última vez – 100.000 toneladas – em fevereiro de 2025, por ordem do ditador russo, Vladimir Putin.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou esta semana que Moscou e Havana estavam estudando “possíveis vias para solucionar estes problemas ou, ao menos, mitigá-los”.
“As ações de forças externas, que buscam o agravamento da crise energética em Cuba, o que inclui a suspensão das comunicações aéreas com a ilha, estão direcionadas para, entre outras coisas, provocar o descontentamento da população e o desconforto dos cidadãos estrangeiros”, alegou Zakharova.
O regime cubano alertou no último domingo às companhias aéreas internacionais que operam na ilha que, a partir desta segunda-feira, o país ficaria sem combustível para aviação.
Regime russo minimiza relação com os EUA ao falar sobre ameaça de tarifas
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse nesta quinta-feira que não deseja uma escalada de tensões com os EUA, mas minimizou o nível atual de relações comerciais entre os países ao citar a ajuda a Cuba.
“Nós não queremos nenhuma escalada, mas, por outro lado, no dia de hoje nós (Rússia e EUA) quase não temos nenhum tipo de intercâmbio comercial”.
No final de janeiro, Trump anunciou que aplicaria tarifas sobre produtos importados de países que enviarem petróleo para Cuba.
Além da Rússia, o México já manifestou a continuidade de apoio a Cuba com o envio de ajuda humanitária, apesar da pressão americana. A presidente Claudia Sheinbaum disse nesta semana que continuará enviando auxílio à ilha, e classificou como “muito injusto” que os EUA estejam impondo tarifas aos países que exportam petróleo para Havana, além de considerar que essas taxas afetam diretamente a população.
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