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Dirceu reúne centrão e esquerda, além de advogados de Lulinha e Vorcaro, em festa de aniversário | Política

A tensão em torno das crises do Banco Master e dos desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a apreensão com as pesquisas eleitorais dominaram as conversas na noite dessa terça-feira (17) na festa de aniversário dos 80 anos do ex-ministro José Dirceu (PT) em Brasília.

O evento reuniu ministros do governo Lula, deputados da esquerda e do Centrão, e contou com dois convidados que simbolizavam a pauta central da comemoração: os advogados Marco Aurélio de Carvalho, que representa Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no inquérito do INSS, e Pierpaolo Bottini, que acabou de deixar a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Bottini foi substituído na sexta-feira (13) pelo criminalista José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, que defende a delação premiada como instrumento de defesa. Juca, por sua vez, foi advogado de José Dirceu nos processos relativos à Lava-Jato e é defensor do ex-ministro e general Braga Netto, condenado na ação por tentativa de golpe de Estado.

A celebração reafirmou a aura de “pop star” que a militância petista cultiva em torno do ex-todo-poderoso chefe da Casa Civil, que já anunciou a pré-candidatura a deputado federal por São Paulo. Ao mesmo tempo, Dirceu coordena a redação do novo programa partidário do PT, a ser lançado em abril no 8º Congresso Nacional da legenda, que será voltado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato e ao fortalecimento da sigla nas eleições de 2026.

Questionado pelo Valor no fim da festa, Dirceu negou que as pesquisas que mostram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em situação de empate técnico com Lula sugiram um “cansaço” dos brasileiros com a imagem do líder petista. “Não é isso, a questão é outra”, rechaçou o ex-ministro, que continua sendo um dos conselheiros mais ouvidos nos bastidores pelas lideranças do partido. Com ar de cansado, ele pediu para falar sobre as pesquisas em outra ocasião.

As rodas de conversas em geral discutiam a rápida escalada de Flávio Bolsonaro nas pesquisas e qual seria a estratégia de Lula para recuperar vantagem e atacar o adversário do PL. Havia críticas à estratégia de retardar os ataques a Flávio e uma sensação de “bate-cabeça” entre governistas e petistas. Ao mesmo tempo, o clima era de apreensão com o potencial alcance de eventual delação premiada de Daniel Vorcaro. A análise era de que políticos da direita estariam “mais implicados” no escândalo, embora governistas também fossem atingidos, enquanto não haveria distinção na opinião pública sobre o grau de envolvimento de cada lado.

Convidados enfrentaram fila para cumprimentar Dirceu, que numa cena que chamou a atenção, era escoltado por três seguranças mulheres que filtravam o acesso a ele na reta final da festa. Em discurso, ele alertou para o “risco” da eleição de Flávio Bolsonaro, que segundo ele, implicaria o enterro da soberania nacional e entrega do país aos Estados Unidos de Donald Trump.

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