Início Economia Enviado dos EUA questiona candidatura de Bachelet para liderar ONU | Mundo

Enviado dos EUA questiona candidatura de Bachelet para liderar ONU | Mundo

O enviado dos Estados Unidos para as Nações Unidas, Mike Waltz questionou nesta quarta-feira (15) a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet para comandar o órgão mundial, dizendo compartilhar das preocupações de um senador norte-americano sobre a aptidão dela para o cargo.

Em uma audiência em um comitê do Senado dos Estados Unidos, o senador republicano Pete Ricketts, de Nebraska, acusou Bachelet de ter sido omissa como chefe de Direitos Humanos da ONU ao não classificar, em um relatório de 2022, ações da China contra muçulmanos uigures como genocídio, além de promover o aborto como um direito humano fundamental.

Porém a própria Bachelet teve atrito com a China, por ter afirmado em seu relatório sobre o caso que a detenção de uigures e de outros muçulmanos na província chinesa de Xinjiang pode constituir crimes contra a humanidade.

Waltz disse que no momento não estava em posição de dizer quem os Estados Unidos devem apoiar para substituir o secretário-geral da ONU, António Guterres, e a quem devem se opor. Mas ele respondeu a Ricketts: “Compartilho de suas preocupações”.

Ele acrescentou ter certeza de que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, também compartilha das mesmas preocupações.

Um novo secretário-geral das Nações Unidas será eleito neste ano para um mandato de cinco anos a partir de 1º de janeiro de 2027.

O apoio dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU com direito a veto ― Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França ― é vital para que um candidato seja bem-sucedido.

Um representante da campanha de Bachelet não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Waltz disse que o consenso geral em Nova York, sede das Nações Unidas, é que, pelo fato de nunca ter havido uma secretária-geral mulher, ou da América Latina, o futuro líder da ONU deveria, portanto, ser uma mulher latino-americana.

“Assumimos a posição de que apenas precisamos da melhor”, disse ele. “E essa instituição precisa desesperadamente de uma liderança forte e eficaz.” Waltz acrescentou que “reforma, reforma, reforma… e voltar aos princípios básicos de paz e segurança estarão no topo de nossos critérios”.

Até o momento, quatro candidatos foram indicados, incluindo Bachelet, primeira mulher a se tornar chefe de Estado no Chile. Ela foi presidente do país sul-americano por duas vezes.

Com apoios de Brasil e México

Em março, o Chile retirou seu apoio à candidatura de Bachelet após uma mudança na liderança do país e uma forte guinada para a direita, mas ela disse que deve continuar com o apoio do Brasil e do México.

Bachelet foi alta comissária da ONU para Direitos Humanos de 2018 a 2022 e diretora-executiva da ONU Mulheres de 2010 a 2013.

Os outros candidatos declarados são Rafael Grossi, um veterano diplomata argentino que, atualmente, é diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica, e Macky Sall, ex-presidente do Senegal.

Os candidatos devem participar de diálogos interativos na próxima semana, nas Nações Unidas, que serão transmitidos ao vivo, começando com Bachelet, na terça-feira (21).

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