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Gracyanne, Rico, Luis Fabiano: por que partidos usam famosos para puxar votos? | Política

Em 2026, a entrada de personalidades como os influenciadores Gracyanne Barbosa e Rico Melquiades e o ex-jogador de futebol Luis Fabiano em partidos políticos reforça uma estratégia antiga de siglas brasileiras: atrair votos por meio de figuras conhecidas. Essa prática, antes centrada em nomes do rádio e da TV, agora se adapta à era dos influenciadores digitais.

O cientista político Sérgio Praça, professor da Universidade Federal de Alfenas, explicou que os partidos utilizam nomes conhecidos como estratégia para conseguir mais votos. Para ele, siglas que procuram fazer número de parlamentares no legislativo, em vez de construir uma identidade ideológica, se beneficiam com a estratégia.

“Esses partidos que sabem da dificuldade de ganhar a Presidência, que hoje se concentra no PT e no PL, têm pouco a perder com essa estratégia. Os famosos são um jeito barato de conseguir votos, mas, para isso, o partido renuncia às ideologias partidárias”, disse o especialista.

O cientista político explicou que, na era dos influenciadores digitais, a estratégia e objetivo dos partidos não se alteram. No entanto, na visão de Praça, a quantidade de puxadores de votos deve aumentar nas eleições 2026, pois há mais nomes na internet que não precisam da intermediação da mídia tradicional.

Ao Valor, a assessoria de Gracyanne disse que, apesar de ter se filiado ao Republicanos no dia 24 de fevereiro, a influenciadora não irá disputar as eleições de 2026. O partido disse que não irá comentar.

Rico Melquiades, que anunciou sua filiação ao PSDB no último sábado (4), deu a entender nas redes sociais que, caso seja eleito deputado federal, “lutará pela oferta de cirurgia plástica no SUS”.

O ex-jogador do São Paulo Futebol Clube e da Seleção brasileira Luis Fabiano, filiado ao MDB no dia 20 de março, não deixou claro nas redes sociais a que cargo concorrerá.

Procurados pelo Valor, Rico Melquiades e Luis Fabiano não responderam aos questionamentos. O espaço segue aberto.

Também procurados pelo Valor, PSDB e MDB não se manifestaram. O espaço segue aberto.

Como funciona o sistema proporcional?

Praça explicou que o interesse dos partidos em atrair pessoas conhecidas se deve ao sistema de eleição proporcional usado para o legislativo, no qual o número de votos recebidos influencia diretamente na quantidade de cadeiras obtidas no parlamento.

Especialistas destacaram que as cadeiras são distribuídas entre os partidos ou federações que recebem mais votos. Depois de definir quantas cadeiras cada sigla tem direito (o chamado quociente eleitoral), estas são distribuídas dentro dos partidos de acordo com os candidatos que mais conquistaram os eleitores (quociente partidário).

Ou seja, segundo os especialistas, mesmo se um candidato não alcançar o mínimo de votos necessários para assumir uma cadeira na Câmara por ele mesmo, ele é favorecido pela soma de votos dos outros candidatos de seu partido — e pode ser eleito pelo quociente partidário.

De qualquer forma, para ser eleito, o candidato precisa ter ao menos 10% do quociente eleitoral, conforme a Resolução n° 23.677/2021 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os “puxadores de votos” — os candidatos mais populares, com maior apelo nas campanhas — acabam favorecendo o partido na divisão das cadeiras e acabam por beneficiar outros colegas da sigla com menos votos, dizem os especialistas. “No sistema proporcional, essa estratégia beneficia os puxadores de votos, porque cada voto ajuda o partido a superar o quociente eleitoral”, afirmou Praça.

“Para um partido sem ideologia definida e que busca cadeiras no legislativo, os puxadores de votos são uma estratégia de baixo custo, mesmo que não há a garantia de que dê certo. E a questão é que, mesmo que dê errado, o partido não tem nada a perder”, acrescentou. (Colaborou Juliana Steil, de São Paulo).

*Estagiária sob supervisão de Diogo Max

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