Israel atacou Beirute nesta quarta-feira (6) pela primeira vez desde que concordou com um cessar-fogo com o Hezbollah no mês passado. Israel afirmou que o alvo era um comandante da força de elite Radwan, do grupo militante, que estava localizado nos subúrbios do sul da capital libanesa.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram a operação em comunicado conjunto. A mídia israelense informou que o comandante foi morto no ataque, mas não houve confirmação imediata do Exército israelense nem do Hezbollah.
O cessar-fogo no Líbano sustentava uma trégua mais ampla entre EUA e Irã, sendo a interrupção dos ataques israelenses no Líbano uma exigência importante de Teerã.
Enquanto Irã e EUA afirmam estar mais próximos de um acordo para interromper seu conflito, os ataques ameaçam o cessar-fogo que havia interrompido os bombardeios israelenses sobre Beirute. Tropas israelenses permaneceram em áreas ao sul do rio Litani, e os ataques continuaram no sul do Líbano.
O Hezbollah, aliado do Irã, respondeu disparando foguetes e lançando drones armados contra soldados israelenses.
Israel havia pedido anteriormente nesta quarta-feira que moradores evacuassem várias aldeias ao norte do rio Litani, o que pode representar uma ampliação da zona de atuação israelense.
As negociações entre Israel e Líbano continuam, mas em grande parte no nível de embaixadores.
O primeiro-ministro libanês Nawaf Salam afirmou nesta quarta-feira que é prematuro falar em qualquer reunião de alto nível entre Líbano e Israel.
Salam, em declarações divulgadas pela agência estatal libanesa NNA, afirmou que o fortalecimento do cessar-fogo será a base para quaisquer novas negociações entre enviados dos governos libanês e israelense em Washington.
Washington sediou no mês passado duas reuniões entre os embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos. O Hezbollah se opõe fortemente a esses contatos.
Desde que o Hezbollah iniciou a guerra ao abrir fogo em apoio ao Irã em 2 de março, o governo libanês liderado por Salam e pelo presidente Joseph Aoun iniciou os contatos de mais alto nível com Israel em décadas, refletindo profundas divisões entre o grupo xiita e seus opositores no Líbano.
Ao anunciar uma extensão de três semanas do cessar-fogo em 23 de abril, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que esperava receber Netanyahu e Aoun em breve e disse ver “grandes chances” de que os países alcancem um acordo de paz ainda este ano.
Salam disse que o Líbano não busca “normalização com Israel, mas sim alcançar a paz”.
“Nossa exigência mínima é um cronograma para a retirada de Israel”, afirmou, acrescentando que o governo desenvolverá um plano para restringir armas ao controle estatal — esforço destinado ao desarmamento do Hezbollah.
Aoun afirmou esta semana que o momento não é adequado para um encontro com Netanyahu. O Líbano “precisa primeiro alcançar um acordo de segurança e o fim dos ataques israelenses antes de levantarmos a questão de uma reunião entre nós”, declarou.
Israel criou uma zona de segurança autodeclarada que avança até 10 km dentro do sul do Líbano, afirmando que o objetivo é proteger o norte de Israel de combatentes do Hezbollah posicionados em áreas civis.
O Ministério da Saúde do Líbano informou nesta quarta-feira que um ataque aéreo israelense matou quatro pessoas, incluindo duas mulheres e um idoso, na cidade de Zelaya, no sul do país.
O Exército israelense afirmou que o Hezbollah lançou drones explosivos e foguetes contra soldados israelenses no sul do Líbano, ferindo dois militares.
Também informou que a força aérea israelense interceptou uma aeronave hostil antes que ela entrasse em Israel e anunciou ataques contra infraestrutura do Hezbollah em várias áreas do Líbano.
Mais de 2.700 pessoas morreram na guerra no Líbano desde 2 de março, segundo o Ministério da Saúde.
O Exército israelense afirma que o Hezbollah disparou centenas de foguetes e drones contra Israel desde 2 de março. Israel informou que 17 soldados morreram no sul do Líbano, além de dois civis no norte do país.
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