O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça fez um apelo aos fieis da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, para que não sejam guiados pela “cobiça” e por “propostas tentadoras no aspecto financeiro”.
Novo relator do inquérito do Banco Master, Mendonça também é pastor e divulgou o sermão sobre “as tentações do poder”, nesta terça-feira (24), em seu perfil oficial no Instagram. A tramitação do caso Master ampliou o escrutínio sobre a atuação dos integrantes da Corte.
Durante a pregação, o magistrado fez um paralelo entre as três tentações de Jesus Cristo no deserto e os três poderes enfrentados pela igreja: financeiro, político e espiritual. “Não se submeta às propostas tentadoras no aspecto financeiro. E cuidado, porque o nosso coração pode desejar mais do que Deus quer nos dar”, disse.
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O ministro Dias Toffoli foi forçado a deixar a relatoria do inquérito após a Polícia Federal encontrar menções a ele no celular de Daniel Vorcaro, dono do banco. Antes disso, diversos veículos de imprensa revelaram que irmãos de Toffoli foram sócios de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
A PF também encontrou um contrato firmado entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, no valor total de R$ 129 milhões.
Segundo Mendonça, a segunda tentação envolve o “poder político e institucional” que, embora possa ser uma bênção quando “guiado por Deus”, torna-se uma “tentação do diabo” quando não segue princípios e valores.
“Meu conselho a você, não busque o poder, não busque os holofotes, busque a Deus, busque agradar Deus e tente discernir cheio do espírito o que é proposta e propósito de Deus e o que é propósito do seu coração, da sua vaidade e do que o diabo colocou no seu coração”, afirmou.
O ministro relatou que a terceira tentação envolve o poder espiritual. “Não atenda ao seu próprio coração, aos seus próprios desejos, a sua própria vaidade, a sua cobiça. Não almeje o poder e a honra humana. Se encha do Espírito Santo”, disse Mendonça.
Mendonça no comando do caso Master
O ministro André Mendonça assumiu a relatoria do inquérito no último dia 12. Desde então, já se reuniu duas vezes com os delegados responsáveis pelas investigações.
Na primeira audiência, o magistrado solicitou um balanço do que já havia sido feito pela autoridade policial e dos próximos passos na apuração. Nesta segunda (23), a PF atualizou o magistrado sobre o andamento do caso.
No último dia 19, Mendonça determinou a retomada do “fluxo ordinário” de perícias e depoimentos do caso Master, revertendo uma decisão de Toffoli. Inicialmente, Toffoli ordenou que todos os celulares e computadores apreendidos durante a segunda fase da operação Compliance Zero deveriam ser lacrados e armazenados na sede do STF.
A PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) recorreram. Diante das críticas, o então relator recuou e mandou o material para a PGR, autorizando apenas quatro peritos da Polícia Federal a acompanharem a extração dos dados.
Ministro “terrivelmente evangélico”
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou André Mendonça, então advogado-geral da União, para uma vaga no STF em 2021. Desde o início de seu governo, Bolsonaro afirmava que escolheria alguém “terrivelmente evangélico” para o cargo.
“O Estado é laico, mas nós somos cristãos. Esse espírito deve estar presente em todos os Poderes. Por isso, meu compromisso: poderei indicar dois ministros para o Supremo Tribunal Federal; um deles será terrivelmente evangélico”, disse o ex-presidente em 2019.
Em 2021, o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comandava a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e era o responsável por marcar a sabatina de Mendonça.
No entanto, o senador defendia a indicação do então procurador-geral da República, Augusto Aras, ao STF. Insatisfeito com a escolha de Bolsonaro, Alcolumbre levou mais de quatro meses para marcar a sabatina.
O episódio de 2021 levou Mendonça a declarar apoio ao atual chefe da AGU, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em novembro do ano passado. Messias é membro da Igreja Batista Cristã de Brasília.
No final de 2025, os dois participaram de um culto, em São Paulo. Diante da resistência ao nome de Messias, Lula ainda não enviou ao Senado mensagem que formaliza sua indicação para o Supremo.
“Eu não quero que alguém que tenha bons princípios e bons valores passe pela mesma situação que eu passei. Assim como considero que não fui tratado com a devida justiça, eu não quero que um irmão meu passe pelo que eu passei”, disse Mendonça na ocasião.
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