O partido governista de esquerda e a principal legenda de oposição da Colômbia caminham para conquistar o maior número de cadeiras no Congresso após as eleições legislativas de domingo (8), segundo resultados preliminares. Nenhum deles, porém, deve alcançar maioria, evidenciando a fragmentação do cenário político no país.
Os eleitores escolheram entre mais de 3 mil candidatos para preencher 102 vagas no Senado e 182 na Câmara dos Representantes. No mesmo dia, também foram realizadas primárias que definiram três candidatos para a eleição presidencial de maio.
As primeiras apurações indicam que o partido de direita Centro Democrático, liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, e a coalizão de esquerda Pacto Histórico — que levou o presidente Gustavo Petro ao poder — devem formar as maiores bancadas no Senado, em uma votação marcada por elevada abstenção.
Mesmo com desempenho expressivo, nenhuma das duas forças deve alcançar maioria absoluta. Partidos tradicionais como o Partido Conservador Colombiano, o Partido Liberal Colombiano, o Partido Social de Unidade Nacional, o Mudança Radical e a Aliança Verde também devem garantir representação.
Na Câmara dos Representantes, Centro Democrático e Pacto Histórico também despontam como os maiores blocos, mas igualmente sem maioria.
Analistas preveem que as cadeiras serão distribuídas entre cerca de duas dezenas de partidos, o que tende a obrigar o próximo presidente a formar uma coalizão para governar.
“A esquerda mostrou que veio para ficar, e a direita segue dividida, mas não enfraquecida. O próximo Congresso será fragmentado”, afirmou Sergio Guzman, diretor da consultoria Colombia Risk Analysis.
Paralelamente à eleição legislativa, grupos políticos de direita, esquerda e centro realizaram primárias para definir candidatos à presidência.
A senadora Paloma Valencia venceu a disputa interna da direita. Pela esquerda, o vencedor foi o ex-senador Roy Barreras, aliado de Petro. Já no campo de centro, a escolhida foi a ex-prefeita de Bogotá Claudia López.
Os três disputarão a eleição presidencial de maio ao lado de outros candidatos que optaram por concorrer diretamente no primeiro turno: Abelardo De La Espriella, Ivan Cepeda e Sergio Fajardo.
Mais de 41,2 milhões de eleitores estavam aptos a votar, mas a abstenção superou 50%, segundo dados preliminares.
“É muito importante exercer o direito de voto. O essencial é que a Colômbia decida seu futuro e que os resultados sejam respeitados”, disse Federico Rodriguez, administrador de empresas de 32 anos, após votar no norte de Bogotá.
O presidente Gustavo Petro, cujo mandato termina em agosto, voltou a questionar o software usado na contagem de votos, alegando risco de irregularidades. O registrador nacional, Hernán Penagos, afirmou que o processo é transparente e que representantes dos partidos podem verificar os resultados.
A votação transcorreu sem episódios graves de violência, embora tenham sido relatadas tentativas isoladas de compra de votos.
Cerca de 246 mil integrantes das forças armadas e da polícia foram mobilizados para garantir a segurança em mais de 13,4 mil seções eleitorais em todo o país, com o objetivo de prevenir ataques de grupos armados ilegais e crimes eleitorais.
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