A Petrobras vai reajustar em 19,2% o preço do gás canalizado vendido para as distribuidoras a partir desta sexta-feira. O aumento reflete o comportamento do dólar e do petróleo entre os meses de fevereiro e abril. O reajuste se aplica ao gás canalizado vendido pelas distribuidoras para residências, comércio, além do gás natural veicular (GNV), vendido nos postos de combustíveis. A alta não envolve o preço do gás de botijão (GLP), que conta com regras distintas de reajuste. Mais cedo, a empresa anunciou reajuste de 18% da querosene de aviação (QAV).
No caso do gás canalizado e GNV, o reajuste ocorre a cada três meses, de acordo com contrato entre a estatal e as distribuidoras de gás. Em fevereiro, houve redução de 11%.
Segundo fontes do mercado, a estatal e as distribuidoras de gás negociaram os aumentos até ontem, em um cenário pouco comum.
O preço final do gás natural ao consumidor não é determinado apenas pelo preço de venda da molécula de gás vendida pela Petrobras. Na composição do preço final ainda há os custos do transporte, margens das distribuidoras e, no caso do GNV, dos postos de revenda, além de tributos federais e estaduais.
Associação projeta alta de 35% em agosto
Segundo a Abegás, que reúne as distribuidoras de gás canalizado, a estimativa era de um aumento de 20% no preço do gás. Marcelo Mendonça, diretor-executivo da associação, ressaltou a importância de o governo tomar medidas para atenuar os impactos, assim como fez com diesel, GLP (gás de botijão) e QAV (combustível de aviação).
A Abegás projeta ainda um efeito maior em agosto, quando haverá novo reajuste e os preços da molécula de gás poderiam subir mais 35%. “A gente não tem margem, não tem lastro para conseguir suportar um aumento dessa magnitude. Quando você incentiva combustíveis concorrentes e, inclusive, mais poluentes que o gás natural, você acaba incentivando esses combustíveis”, afirmou Mendonça.
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