O Partido dos Trabalhadores (PT) encerrou neste domingo (26), em Brasília, o seu 8º Congresso Nacional com a aprovação de um manifesto que combina ajustes de discurso político com um aceno ao Centrão, tentativa de ampliação de base eleitoral, ênfase na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026 e críticas ao presidente americano, Donal Trump.
O documento, batizado de “Construindo o Futuro”, foi apresentado como eixo estratégico da legenda para o próximo ciclo eleitoral e traça uma movimentação do partido para reposicionar sua atuação com um cenário político mais competitivo e fragmentado.
Embora o texto seja apresentado como uma carta de diretrizes amplas, sua construção mostra o esforço entre manter a identidade histórica do partido e, ao mesmo tempo, buscar aproximação com setores do centro político, o chamado Centrão, e do empresariado.
Durante todo o congresso, lideranças petistas reforçaram a necessidade de ampliar o diálogo com setores do centro político. Líderes partidários defendem que o manifesto tem como função central “falar para o país e chamar o centro para compor com Lula”, sinalizando uma estratégia de construção de alianças mais amplas para a eleição presidencial.
Essa tentativa de moderação se mescla a críticas à política externa dos Estados Unidos sob Donald Trump, que aparece no documento como símbolo de uma postura agressiva no cenário internacional e de uma ordem global em crise.
O documento também dedica espaço à política externa, área em que o tom adotado é mais duro. O PT critica o que chama de postura “agressiva” dos Estados Unidos sob Donald Trump, especialmente no uso de tarifas comerciais e na condução de conflitos internacionais. O texto descreve essa atuação como parte de uma lógica de desestabilização global e contrapõe essa visão à imagem do Brasil como ator de mediação e defesa do multilateralismo sob o governo Lula.
O manifesto tenta projetar o Brasil como uma liderança alternativa no cenário internacional, destacando ações do governo federal em fóruns multilaterais e iniciativas diplomáticas em zonas de conflito.
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PT mantém sete eixos de reformas estruturais
A versão final do manifesto passou por alterações em relação às discussões iniciais do congresso. Uma das mudanças mais significativas foi a retirada da proposta de reforma do sistema financeiro, que havia sido mencionada em versões preliminares do texto enquanto se debate episódios envolvendo o sistema bancário e fraudes bilionárias.
Na redação aprovada, o PT manteve sete eixos de reformas estruturais, mas evitou aprofundar qualquer proposta que pudesse gerar maior atrito com o mercado financeiro. Entre as reformas mantidas estão:
- Política e eleitoral;
- Tributária;
- Tecnológica;
- Poder Judiciário
- Administrativa
- Agrária;
- Comunicação.
O texto, no entanto, não apresenta detalhes operacionais ou metas concretas, funcionando mais como um conjunto de diretrizes gerais do que como um programa fechado de governo. A leitura interna no próprio quadro é de que o objetivo central é orientar a narrativa eleitoral de 2026, sem comprometer o partido com propostas de implementação imediata.
No plano interno, o texto também tenta construir uma narrativa de “continuidade e estabilidade”. O manifesto está focado em indicadores econômicos do atual governo do PT. Esses dados são apresentados como evidências de que o modelo de governo adotado por Lula seria capaz de combinar responsabilidade fiscal e inclusão social.
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Os entraves à renovação interna
Outro ponto destacado no documento é a proposta de renovação interna do partido, apesar de o PT não ter, em um cenário próximo, um nome à sucessão de Lula que deve concorrer à presidência, em cargo que já ocupa pela terceira vez.
No entanto, o texto defende a limitação de mandatos dentro das instâncias partidárias e a ampliação da participação feminina nos espaços de decisão, com a meta de alcançar ao menos 50% de mulheres nos órgãos deliberativos. A medida é apresentada como parte de um processo de “transição geracional permanente”, embora críticos internos apontem que o partido ainda enfrenta dificuldades para promover efetiva renovação de suas lideranças.
O PT também quer construir o que chamou de um “bloco democrático popular”, reunindo trabalhadores, movimentos sociais e setores do empresariado em torno de um projeto comum.
Mesmo sem a presença física de Lula, que se recupera de intervenções cirúrgicas, o presidente foi o centro das discussões. Um vídeo seu exibido na abertura do congresso reforçou a ideia de continuidade do projeto político do partido e sua centralidade na disputa eleitoral de 2026. Internamente, o entendimento é de que o desempenho eleitoral da legenda está diretamente atrelado à figura do atual presidente, já que não existem nomes em seus quadros que possam substituí-lo.
No fim do encontro, o PT deixou claro que o manifesto não substitui o programa oficial de governo, mas funciona como uma diretriz estratégica para o período pré-eleitoral.
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