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Setor de serviços se mantém aquecido e deve continuar sob atenção do BC, diz FGV Ibre | Brasil

O volume de serviços prestados no país em novembro andou de lado ante o mês anterior, logo depois de ter renovado o seu máximo histórico há alguns meses. O setor se mantém aquecido e faz o Banco Central olhar com atenção para a taxa de juros, porque a demanda ainda forte na atividade pode significar pressão inflacionária mais à frente. A avaliação é de Stéfano Pacini, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

O volume de serviços prestados no país caiu 0,1% em novembro, ante outubro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgados, nesta terça-feira (13), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em outubro, houve alta de 0,4%, após revisão de dado divulgado inicialmente como aumento de 0,3%.

O resultado da variação mensal de novembro, diz Pacini, é quase uma estabilidade. Alguns segmentos tiveram variação negativa no mês, destaca, mas há uma característica de compensação, porque se acumularam bons resultados nesses segmentos nos meses passados.

“E agora temos neles um resultado negativo que está puxando o resultado do indicador agregado para baixo. Estou falando, principalmente, de informação e comunicação, que teve uma queda de 0,7% no mês, e serviços de transporte, que teve uma queda de 1,4%. Esses dois segmentos são os que eu considero que são os carros-chefes do setor de serviços no ano e foram os dois segmentos mais resilientes.”

Informação e comunicação, afirma Pacini, é um setor que está quase sempre com uma margem de crescimento, em razão das mudanças que foram trazidas pela pandemia, com a necessidade de buscar mais serviços de tecnologia. “O investimento em infraestrutura e a busca por soluções desse setor mostraram, e continuam mostrando, a sua importância e a margem para crescimento daqui pra frente. Por isso, a queda em novembro não é uma virada de chave e, sim, mais um resultado de compensação.”

Já o desempenho do setor de transportes, observa, está mais relacionado à conjuntura do momento. O ramo de transportes aéreos, lembra, foi muito bem em 2025. “O preço das passagens caiu bastante, o que tem a ver também com o preço do petróleo, uma conjuntura internacional, algo exógeno. No transporte terrestre, houve a influência da safra agrícola.”

Por esses fatores, segundo Pacini, os segmentos de comunicação e informação e transportes devolvem, em novembro, “um pouquinho” do que cresceram no decorrer de 2025. “E quem puxou para cima foram serviços profissionais, que estão muito relacionados ao mercado de trabalho. Temos ainda o mercado de trabalho aquecido, com a taxa de emprego muito baixa.”

Já os serviços prestados às famílias, que têm certa conexão com serviços como componente do PIB, diz Pacini, já foram o item mais resiliente do setor de serviços, embora “andando de lado” nos últimos meses. Pela PMS, o segmento teve estabilidade em novembro, ante outubro. “É um segmento que está muito relacionado à confiança do consumidor e teve mais dificuldade em 2025, como reflexo da situação financeira das famílias e da taxa de juros alta.”

Mesmo assim, diz Pacini, o setor de serviços deve ter crescimento relativamente forte em 2025. Ele lembra que, no acumulado até novembro, segundo indica o IBGE, há alta de 2,7% ante igual período de 2024. “É um crescimento bom e é preciso lembrar que há anos o setor de serviços está crescendo e ainda está aquecido.”

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