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Trump faz nova ameaça após Irã afirmar que bloqueará saída de petróleo por Ormuz | Mundo

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta terça-feira que não permitirá a saída de petróleo do Oriente Médio até o fim dos ataques de Estados Unidos e Israel, o que levou o presidente americano, Donald Trump, ameaçar atingir o país com uma força “20 vezes maior” caso as exportações permaneçam bloqueadas.

Apesar da retórica inflamada de ambos os lados, os mercados fazem hoje uma forte aposta de que Trump encerrará a guerra em breve, antes de que a interrupção sem precedentes no fornecimento de petróleo e gás que ela causou provoque uma crise econômica global.

Depois de Trump ter descrito a guerra ontem como “praticamente concluída” e adiantada em relação ao cronograma inicial, a maior parte da histórica disparada dos preços do petróleo foi revertida.

O Irã, porém, se recusou a ceder à exigência de Trump de permitir que os Estados Unidos escolhessem a nova liderança do país, nomeando o linha-dura Mojtaba Khamenei como novo líder supremo para substituir seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, que foi morto no primeiro dia da guerra.

Mas Trump concedeu uma entrevista coletiva ontem que pareceu tranquilizar os mercados de que a guerra será encerrada antes de provocar uma crise econômica similar às ocorridas após aos choques do petróleo do Oriente Médio nos anos 1970.

Trump disse que os EUA já infligiram danos sérios ao Irã e previu que o conflito terminará antes das quatro semanas que havia inicialmente estabelecido.

O presidente americano não definiu como seria a vitória dos EUA, mas deixou de repetir declarações de que o Irã deveria aceitar uma “rendição incondicional”, embora ainda tenha enviado sinais contraditórios de que o conflito continuaria até que o inimigo fosse eliminado.

A guerra interrompeu efetivamente os embarques pelo Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo ao longo da costa iraniana, uma interrupção do comércio global de energia sem precedentes modernos. À medida que o bloqueio persiste, produtores ficaram sem capacidade de armazenamento no Golfo Pérsico e foram forçados a parar a produção.

Trump disse na noite de segunda-feira que o poder militar dos EUA é suficiente para manter o fluxo de petróleo. Se o Irã bloquear o Estreito de Ormuz, o presidente americano afirmou que o país será “atingido com tanta força que não será possível para eles ou para qualquer um que os ajude se recuperar daquela parte do mundo.”

Um porta-voz do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã rejeitou as declarações de Trump, dizendo que Teerã não permitirá que “um litro” de petróleo do Oriente Médio chegue aos EUA ou a seus aliados enquanto os ataques americanos e israelenses continuarem. “Somos nós que determinaremos o fim da guerra”, disse o porta-voz.

Em uma declaração na Truth Social, Trump reiterou o alerta. “Se o Irã fizer qualquer coisa que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, eles serão atingidos pelos Estados Unidos da América VINTE VEZES MAIS FORTE do que foram até agora”, disse ele.

Trump em entrevista coletiva sobre a guerra contra o Irã — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Encerrar a guerra rapidamente e permitir que o fluxo de petróleo seja retomado aparentemente impediria a derrubada da liderança do Irã, que realizou grandes manifestações na segunda-feira em apoio ao novo líder supremo.

Muitos iranianos querem mudanças e alguns celebraram abertamente a morte do aiatolá Ali Khamenei, semanas depois de suas forças de segurança matarem milhares de pessoas para reprimir protestos antigoverno na pior agitação interna do país desde a época da revolução de 1979.

Desde então, houve poucos sinais de atividade antigoverno, com opositores das autoridades dizendo que seria inseguro protestar enquanto o Irã está sob ataque.

Apesar das repetidas exigências maximalistas de Trump para ter influência sobre quem governa o Irã, autoridades do governo americano têm dito principalmente que o objetivo da guerra é destruir as capacidades de mísseis e o programa nuclear iraniano.

Israel tem sido mais explícito ao declarar abertamente seu desejo de ver os governantes clericais do Irã derrubados.

“Nossa aspiração é levar o povo iraniano a se livrar do jugo da tirania”, disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em um comunicado divulgado por seu gabinete na terça-feira.

Uma fonte familiarizada com os planos de guerra de Israel disse à Reuters que os militares israelenses estão operando sob a suposição de que Trump pode ordenar o fim da guerra a qualquer momento e encerrar abruptamente a janela para novos ataques.

Cada dia era mais uma oportunidade para os militares infligirem mais danos ao Irã enquanto isso ainda fosse possível, disse a fonte.

Pelo menos 1.332 civis iranianos foram mortos e milhares ficaram feridos, segundo o embaixador do Irã na ONU, desde que os EUA e Israel começaram ataques aéreos em todo o país no fim de fevereiro.

Dezenas de pessoas também morreram em intensos ataques israelenses no Líbano para eliminar o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, que disparou contra Israel em solidariedade a Teerã.

Ataques retaliatórios iranianos contra Israel mataram 11 pessoas. O Irã lançou mísseis e drones contra países árabes do Golfo que atingiram bases militares e missões diplomáticas dos EUA, mas também atingiram hotéis, fecharam aeroportos e danificaram infraestrutura petrolífera.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que Teerã dificilmente retomará negociações com os EUA, “porque temos uma experiência muito amarga de conversar com os americanos”.

Araqchi citou autoridades americanas que relataram progresso nas negociações nucleares dias antes de Washington lançar seus ataques aéreos. “Ainda assim, decidiram nos atacar. Então, não acho que conversar com os americanos ainda esteja em nossa agenda”, disse ele à PBS.

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