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Lula diz que Trump quer governar o mundo pelo Twitter | Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula criticou o seu par americano, Donald Trump, por “tentar governar o mundo” por meio de redes sociais. O presidente fez o comentário em meio a um discurso sobre como o uso excessivo do celular está deixando as pessoas mais “individualistas”.

“Nós estamos virando isso. A gente deita na cama e, em vez de ficar conversando com a companheira, fica com o dedo no celular. Eu lá quero saber se alguém morreu meia-noite, se vai ter notícia contra mim? Você precisa desligar, faz um cafuné na sua companheira, vamos voltar a ser humano, tirar esse ódio de perto de nós. Nós estamos ficando muito individualistas, nosso amigo é o celular. Nós não vamos criar coisa boa [desta maneira]”, acrescentou.

Foi em meio a esse tipo de argumentação que Lula citou Trump como exemplo negativo. “Vocês já perceberam que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter [atual X]. Vocês acham que é possível tratar o povo com respeito sem olhar na cara de vocês?”, questionou.

Nesta semana o presidente petista foi convidado por Trump para integrar o chamado Conselho de Paz, que deve deliberar sobre a situação na Faixa de Gaza, na Palestina. De acordo com fontes da cúpula do governo, Lula ainda não bateu o martelo se aceitará fazer parte do grupo. Em vez disso, o chefe do Executivo brasileiro estaria estudando pontos previstos no documento proposto pelo líder americano e a organização do órgão. A orientação, segundo interlocutores, é ter cautela em relação ao assunto.

O possível aceite foi um dos temas tratados entre Lula e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na manhã de ontem. Interlocutores afirmam que eles se debruçaram em entender as consequências da proposta. Além de Lula, o presidente argentino, Javier Milei, e o mandatário turco, Recep Tayyip Erdogan, foram alguns dos outros líderes convidados para fazer parte do conselho.

“Eu acho que esse Conselho da Paz já está sendo visto sem legitimidade no exterior. A França já rejeitou [o convite]. É quase uma piada de mau gosto com base em quem está liderando [o grupo]”, disse, em entrevista ao Valor, Uriã Fancelli, mestre em relações internacionais pelas Universidades de Groningen (Países Baixos) e Estrasburgo (França) e autor do livro Populismo e Negacionismo.

Para o especialista, se o Brasil aceitar tal convite, estará jogando “no lixo” a própria retórica em defesa da reforma de organismos multilaterais. “Pelo fato de Trump acumular muitas funções [no conselho], eu acho que isso sequer tem que ser levado a sério. Isso seria reconhecer que todas instituições falharam. Se ele [Lula] aceita fazer parte de um órgão que é fundado em regras ditadas, seria o mesmo admitir que o mundo falhou, que as instituições falharam”, acrescentou Fancelli.

O presidente também voltou a defender que o Brasil terá de regular os sites de apostas esportivas, conhecidas como bets, que atuam no país. O petista comparou a regulação do setor à decisão da gestão petista de proibir, desde o ano passado, o uso de celulares nas escolas públicas e privadas, o que teria sido “uma salvação” para os estudantes e professores, na visão do presidente.

“A gente proibiu o povo de ir ao cassino e o cassino veio para o celular. A gente vai ter que regular essas coisas, regular essas jogatinas. Quando tiramos o celular da escola foi uma salvação para a escola. Foi uma benção termos tomado essa atitude. Nós precisamos saber o que queremos ensinar para os nossos filhos”, afirmou o presidente, diante de uma plateia formada basicamente por integrantes de movimentos sociais, ao participar de cerimônia para a entrega de 1.276 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Ricardo Stuckert/PR

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