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Lula quer fim da escala 6×1 e da taxa das blusinhas

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A queda na popularidade e o avanço de adversários na última pesquisa Quaest levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a acelerar uma agenda de medidas de forte apelo popular, como o fim da escala 6×1 e a possível revogação da chamada “taxa das blusinhas”. Nos bastidores, auxiliares admitem preocupação com o cenário eleitoral e defendem ações de curto prazo para conter o desgaste, mesmo diante de resistências da equipe econômica e do Congresso.

Levantamento da Quaest, do último dia 15, indica que, no principal cenário de primeiro turno, o presidente Lula aparece com 37% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 32%. A diferença de cinco pontos indica liderança do petista, mas dentro de um quadro mais competitivo do que em rodadas anteriores, com a oposição encurtando a distância.

Já no cenário de segundo turno, a pesquisa registra uma mudança relevante: Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente, com 42% das intenções de voto, contra 40% de Lula. Apesar de o resultado configurar empate técnico dentro da margem de erro, é a primeira vez que o senador surge com vantagem numérica sobre o petista.

Diante disso, o governo passou a intensificar discussões sobre medidas com impacto direto no cotidiano da população, capazes de produzir efeitos mais rápidos na percepção do eleitor. Entre as medidas em estudo no Planalto, o fim da escala 6×1 ganhou status de prioridade por reunir alto potencial de adesão popular e efeito político imediato.

A tramitação, no entanto, expõe o componente político da iniciativa. O governo optou por enviar um projeto de lei com urgência constitucional, numa tentativa de acelerar o debate e garantir que o tema avance ainda antes do período mais intenso da disputa eleitoral.

Publicamente, Lula negou que esteja em um período turbulento no cenário eleitoral e afirmou estar “tranquilo” para disputar o quarto mandato presidencial.

“Não tem turbulência nenhuma. Eu encaro eleição como a coisa mais democrática, mais tranquila possível. Sou o cidadão que mais disputou eleição na história do Brasil. Portanto, eleição para mim não tem turbulência”, disse o petista durante coletiva na Alemanha.

Já o cientista político André César, da Hold Assessoria Legislativa, afirma que o cenário atual combina fatores que ampliam a pressão sobre o presidente. “O antipetismo retornou com força ao centro do palco. Todos os pré-candidatos voltam suas artilharias contra Lula e reforçam o discurso de que é preciso mudar o comando do país, o que, em um ambiente polarizado, ganha cada vez mais espaço”, afirma.

Segundo ele, há ainda o componente de desgaste natural de quem ocupa o poder há mais tempo, o que abre espaço para adversários se apresentarem como alternativa de renovação. Nesse contexto, César avalia que a eleição segue em aberto. A oposição tende a superar o governo se Lula não conseguir reagir rápido e fazer uma correção de rota.

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Fim da escala 6×1 vira ponto de crise entre o governo e a Câmara

A forma como o tema foi encaminhado aprofundou o mal-estar com a Câmara. Ao optar por um projeto de lei com urgência constitucional — que tranca a pauta após 45 dias — o Planalto sinalizou pressa e acabou sendo interpretado por parlamentares como uma tentativa de impor o ritmo das votações. Nos bastidores, a leitura é de que o governo buscou acelerar uma agenda de interesse eleitoral sem a devida construção prévia com os líderes partidários.

A reação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi deslocar o protagonismo para o Legislativo, defendendo a tramitação por meio de uma PEC. A alternativa é vista como mais robusta do ponto de vista jurídico, mas também retira do Executivo o poder de sanção e veto — o que, na prática, diminui o controle do governo sobre o conteúdo final da proposta.

Aliados de Motta argumentam que mudanças estruturais na jornada de trabalho exigem maior debate e não podem ser tratadas apenas sob a lógica da urgência política. Já governistas veem na resistência uma tentativa de esvaziar o capital político do governo em torno da proposta.

Neste cenário de desconfiança, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira (22) o relatório favorável do deputado Paulo Azi (União Brasil-BA) para as duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que definem o teto de oito horas diárias e 36 horas semanais de trabalho. A votação foi feita de forma simbólica — sem registro individual dos votos.

Agora, os projetos seguem para análise de mérito em uma comissão especial, que ainda será criada. A expectativa é de que o texto seja votado no plenário da Casa em maio.

Para tentar minimizar o impasse com os deputados, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), disse que não há atrito por divergências na tramitação do fim da escala 6×1.

“Há um excelente diálogo com o presidente da Casa. Da mesma maneira que ele, como presidente da Câmara, tem um entendimento sobre a melhor tramitação, o presidente da República também tem o desejo de que esse projeto seja analisado com prioridade no regime de urgência. Nós estamos em um ano eleitoral e sabemos que, no segundo semestre, normalmente as atividades legislativas reduzem muito”, declarou Pimenta.

Lula perde popularidade no Nordeste e estuda acabar com taxa das blusinhas

Além do cenário da disputa presidencial, a pesquisa Quaest mostrou que a desaprovação ao governo supera numericamente a aprovação, mantendo a trajetória de desgaste observada nos últimos meses. Segundo o levantamento, 52% desaprovam, enquanto 43% dos brasileiros afirmam aprovar a gestão petista.

O ponto que mais preocupa o Palácio do Planalto é a perda de apoio em segmentos historicamente alinhados ao petismo, como eleitores de menor renda e parte do eleitorado nordestino.

Segundo a pesquisa, embora o Nordeste ainda concentre a principal base de sustentação do governo Lula, com 63% de aprovação, o patamar já é inferior ao observado em momentos anteriores.

Ao mesmo tempo, a desaprovação avança em regiões mais populosas: chega a 58% no Sudeste e atinge 62% no Sul.

Aliados do governo admitem nos bastidores que os números indicam um quadro de desgaste mais amplo, o que acendeu o alerta sobre a capacidade do petista de manter sua vantagem eleitoral tradicional.

Diante desse cenário, integrantes da ala política do governo passaram a defender a revisão de medidas que impactam diretamente o consumo das camadas de menor renda.

Entre elas também está a chamada “taxa das blusinhas”, que incide sobre compras internacionais de até US$ 50 e se tornou alvo frequente de críticas nas redes sociais e entre consumidores.

A avaliação dentro do governo é de que a taxação, apesar de relevante para a arrecadação, gerou desgaste desproporcional à sua importância fiscal, especialmente entre eleitores sensíveis ao preço de produtos importados de baixo valor. O tema passou a ser tratado como um dos principais símbolos de insatisfação popular com o governo.

O tema, no entanto, expõe divergências internas. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que vê com bons olhos a revogação: “Se o governo decidir revogar, eu acho uma boa”.

Já o vice-presidente Geraldo Alckmin adotou tom cauteloso e destacou que ainda não há decisão tomada: “Não há nenhuma decisão nesse momento sobre esse tema”.

Conforme apurou a Gazeta do Povo, a discussão é conduzida principalmente pela ala política do Planalto, com atuação do ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, e apoio do ministro da Casa Civil, Rui Costa.

A possibilidade de editar uma medida provisória para extinguir a cobrança está em análise, embora ainda não haja decisão formal.

O eventual recuo enfrenta resistência de setores da indústria e do comércio, que pressionaram pela criação do imposto. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a medida ajudou a conter importações, preservou cerca de 100 mil empregos e movimentou a economia brasileira.

“O objetivo principal da “taxa das blusinhas” não é tributar o consumidor, mas proteger a economia. Tornar a indústria brasileira competitiva é primordial para que nós possamos manter empregos e gerar renda”, afirmou em nota o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra.

Metodologia de pesquisa citada na reportagem

A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 9 e 13 de abril, com 2.004 entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09285/2026.

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