China e Rússia condenaram os recentes bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã, mas mantêm cautela diplomática. Apesar da parceria estratégica com o regime de Teerã, as potências evitam o envolvimento militar direto para proteger seus próprios interesses econômicos e agendas regionais.
Qual foi a reação diplomática de Moscou e Pequim sobre os ataques?
Os dois regimes condenaram a ofensiva, pediram cessar-fogo e defenderam o diálogo. A Rússia classificou os bombardeios no Conselho de Segurança da ONU como atos de agressão. Já a China afirmou ser inaceitável o ataque durante negociações e criticou a morte do líder iraniano Ali Khamenei. Contudo, as declarações ficaram no campo diplomático, sem ameaças de intervenção bélica.
Existem acordos de defesa mútua entre esses países?
Não. Embora China, Rússia e Irã tenham assinado um pacto trilateral para cooperar em energia, comércio e defesa, o acordo não possui cláusulas de defesa coletiva. Diferente da Otan, onde um ataque a um membro obriga a resposta de todos, a parceria entre os três é estratégica e econômica, mas não garante proteção militar automática em caso de guerra externa.
O que a China perderia com o agravamento do conflito?
O interesse chinês é majoritariamente econômico e energético. A China compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã com preços vantajosos. Além disso, Pequim investe pesado em infraestrutura nos países vizinhos do Golfo através da Nova Rota da Seda. Um conflito de grande escala desestabilizaria o fornecimento de energia e colocaria em risco investimentos bilionários na região.
Por que a Rússia pode se beneficiar economicamente da instabilidade?
A instabilidade no Oriente Médio tende a elevar o preço internacional do petróleo. Como a economia russa é altamente dependente da venda da commodity para financiar sua máquina pública e a invasão na Ucrânia, qualquer alta nos preços é positiva para os cofres do Kremlin. Além disso, Moscou está concentrada no conflito contra os ucranianos e não deseja abrir uma segunda frente de guerra.
Qual é a prioridade militar estratégica da China no momento?
O foco militar de Pequim não está no Oriente Médio, mas sim no entorno de seu próprio território, especificamente em relação a Taiwan. No planejamento de modernização naval e aérea do regime de Xi Jinping, a anexação da ilha é a prioridade central. Desviar recursos ou arriscar um confronto direto com os EUA para defender o Irã prejudicaria essa agenda estratégica principal.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
- O que está em jogo para China e Rússia na guerra do Oriente Médio
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