O presidente Donald Trump fez nesta terça-feira (24) seu primeiro discurso do Estado da União no Congresso neste segundo mandato. Em sua fala, o republicano disse que os Estados Unidos vivem uma “era de ouro” e defendeu os resultados de sua política econômica, de segurança nas fronteiras e de fortalecimento militar.
Durante o discurso, Trump afirmou que herdou do ex-presidente democrata Joe Biden um país em crise, com inflação elevada, fronteiras abertas e instabilidade internacional, mas disse que seu governo, em pouco tempo, promoveu uma mudança estrutural.
“Nossa nação está de volta – maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca”, declarou Trump.
O presidente criticou, de forma leve, a recente decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou as tarifas impostas por seu governo com base numa lei de emergência nacional. A Corte entendeu que tal lei não permite o presidente impor tarifas. “Há apenas quatro dias tivemos uma decisão muito infeliz da Suprema Corte dos Estados Unidos”, disse Trump. Mesmo assim, sustentou que os acordos firmados pelos EUA com parceiros comerciais enquanto essas tarifas estavam ativas serão mantidos e reiterou que os EUA continuarão defendendo seus interesses econômicos.
Durante sua fala, Trump voltou a culpar o governo Biden pela inflação alta dos EUA e disse que seu governo está tentando corrigir este cenário.
“O governo Biden e seus aliados no Congresso nos deram a pior inflação da história do nosso país. Mas, em 12 meses, meu governo reduziu a inflação núcleo ao nível mais baixo em mais de cinco anos”, disse Trump.
Falando sobre imigração e segurança, Trump declarou que os Estados Unidos agora têm “a fronteira mais forte e mais segura da história americana”. Segundo ele, “nos últimos nove meses, zero imigrantes ilegais foram admitidos nos Estados Unidos”. O republicano acrescentou que “o fluxo de fentanil letal através da nossa fronteira caiu em um recorde de 56%” e que, no último ano, “a taxa de homicídios registrou a maior queda da história registrada – o menor número em mais de 125 anos”.
Trump também anunciou oficialmente o que chamou de “guerra contra a fraude” nos EUA, que será liderada pelo vice-presidente J.D. Vance.
“Esta noite, embora tenha começado há quatro meses, estou anunciando oficialmente a guerra contra a fraude. Se conseguirmos encontrar fraude suficiente, poderemos ter um orçamento equilibrado da noite para o dia”, declarou. Como exemplo, citou um caso envolvendo a comunidade somali em Minnesota sobre fraude e desvio de recursos públicos.
“Quando se trata da corrupção que está saqueando a América, não houve exemplo mais chocante do que Minnesota – onde membros da comunidade somali teriam saqueado cerca de US$ 19 bilhões dos contribuintes americanos”, afirmou Trump.
Defesa do ICE e da política contra imigrantes ilegais
Trump defendeu em seu discurso desta terça as operações contra a imigração ilegal que estão sendo realizadas Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). Ele disse que seu governo está deportando milhares de imigrantes ilegais criminosos e aproveitou a oportunidade para criticar os democratas por condicionarem a reabertura do Departamento de Segurança Interna (responsável pelo ICE) – que está sem financiamento por impasse no Congresso neste momento – a novas restrições às operações migratórias do ICE. O presidente disse que os democratas deveriam “se envergonhar” por não apoiarem medidas que, segundo ele, priorizam cidadãos americanos.
“Nunca podemos esquecer que muitos nesta sala não apenas permitiram que a invasão na fronteira acontecesse antes de eu assumir – como fariam tudo de novo se tivessem a chance”, disse Trump.
Ainda no discurso, Trump também pediu a aprovação do “SAVE America Act”, proposta de lei que exige apresentação de documento oficial para votar e comprovação de cidadania no registro eleitoral. Ele acusou os democratas de estarem se recusando a aprovar esta lei no Senado – ela já foi aprovada na Câmara – porque “querem roubar as eleições”.
Trump também defendeu a proibição de escolas permitirem políticas de transição de gênero de estudantes – como mudança de nome, pronomes ou expressão de gênero – sem consentimento dos pais.
Mediação de conflitos e o caso do Irã
No discurso, Trump lembrou novamente que seu governo já encerrou “oito guerras” e voltou a sustentar que a invasão russa à Ucrânia não teria ocorrido sob sua liderança e disse que trabalha para encerrar a guerra, que nesta terça completou quatro anos.
“Estamos trabalhando duro para acabar com a nona guerra – o massacre entre Rússia e Ucrânia, onde 25 mil soldados estão morrendo todos os meses. Uma guerra que nunca teria acontecido se eu fosse presidente”, afirmou.
Sobre o Oriente Médio, Trump elogiou o cessar-fogo entre Israel e Hamas negociado por seu governo e disse que, através desta negociação, todos os reféns mantidos pelos terroristas palestinos foram devolvidos.
“Sob o cessar-fogo que negociei, cada refém – vivo ou morto – foi devolvido para casa”, declarou.
Ao falar sobre o Irã, o Trump celebrou a “Operação Martelo da Meia-Noite”, que atingiu durante a Guerra dos 12 dias do ano passado as instalações nucleares do regime islâmico de Natanz, Fordow e Isfahan. O republicano disse que Teerã estaria desenvolvendo mísseis com capacidade de atingir território americano. Segundo ele, o regime iraniano já possui tecnologia capaz de ameaçar a Europa e bases militares dos Estados Unidos no exterior. Ele afirmou que os Estados Unidos não permitirão que Teerã desenvolva armas nucleares.
“Minha preferência é resolver esse problema (do Irã) por meio da diplomacia – mas uma coisa é certa: eu nunca permitirei que o maior patrocinador do terrorismo do mundo tenha uma arma nuclear”, disse. “Nenhuma nação deve duvidar da determinação da América. Temos as forças armadas mais poderosas do mundo. Isso se chama paz por meio da força”, lembrou Trump. Irã e EUA negociam neste momento um novo acordo nuclear. Trump não descarta usar a força contra o regime islâmico caso este não desista de suas ambições nucleares.
Captura de Maduro
Trump também mencionou no discurso desta terça a operação militar de janeiro que resultou na captura do agora ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro. Ele disse que as Forças Armadas americanas “superaram todas as defesas e derrotaram completamente o inimigo” para “encerrar o reinado do ditador fora da lei Nicolás Maduro e levá-lo à Justiça americana”.
O presidente classificou a operação como “uma vitória colossal para a segurança dos Estados Unidos” e disse que ela abre “um novo e promissor começo para o povo da Venezuela”. Trump disse que diversos líderes mundiais ficaram impressionados com a operação e que ela também serviu de alertas para inimigos dos EUA, como o Irã.
No contexto deste assunto, Trump apresentou no plenário do Congresso a venezuelana Alejandra Gonzalez, que se reuniu novamente com seu tio, Enrique, que ficou preso por anos pelo regime de Maduro. O presidente também homenageou o suboficial-chefe Eric Slover, apontado como piloto do helicóptero líder na operação que culminou na prisão do líder chavista.
Operação contra o narcotráfico
Sobre o combate ao narcotráfico, o presidente Trump lembrou que seu governo designou cartéis mexicanos como Organizações Terroristas Estrangeiras, medida que, segundo ele, ampliou os instrumentos legais e operacionais para combater essas facções. “Por anos, vastas regiões da nossa área, incluindo grandes partes do México, foram controladas por cartéis assassinos”, afirmou.
Trump declarou que a classificação permitiu tratar os cartéis como ameaças à segurança nacional e intensificar ações militares e de inteligência contra o tráfico internacional de drogas. Ele também disse que classificou o fentanil ilícito como arma de destruição em massa, reforçando a estratégia de enfrentamento à substância que, segundo o presidente, tem causado milhares de mortes nos Estados Unidos.
O presidente acrescentou que, com a campanha militar em curso no Caribe e na América Latina, o fluxo de drogas para os EUA foi drasticamente reduzido.
“Com nossa nova campanha militar, paramos quantidades recordes de drogas entrando em nosso país e praticamente interrompemos completamente a entrada por água ou mar”, declarou.
Ao final, o discurso de Trump ultrapassou 1 hora e 39 minutos, tornando-se o mais longo já feito por Trump ao Congresso – superando o próprio recorde estabelecido no ano passado.
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